#0003 ✩ apenas uma reflexão
Nos últimos dias eu tenho pensado bastante em muitas coisas, tanto no âmbito mágico quanto nos demais pontos da minha vida, procurando ver mudanças na minha pessoa, pois, recentemente, fez um ano que eu me mudei, saindo da casa da minha mãe e vim para o sul, viver sozinho, como faço atualmente. Pensei em todos os aprendizados, na minha evolução e, recentemente, em algo que mexeu muito comigo que ainda estou em dúvida se considero uma "regressão" da minha pessoa ou, melhor, se considero como apenas uma etapa de aprendizado, afinal, todos nós errados, o que importa é como iremos agir diante de tais erros, certo? Eu espero que sim.
Além disso, eu também estava pensando sobre as tradições da bruxaria, se eu faria parte de alguma, se as minhas crenças e convicções se encaixam em alguma delas, e decidi que eu iria criar uma listinha com tudo o que eu pratico/acredito/pretendo aprender e, dessa forma, ver se eu me encaixo em algum ramo. Se sim, eu ficarei muito feliz, mas, se não (o que eu acho que é mais provável de acontecer), ficarei feliz também em seguir meu caminho solitário, pois sempre foi assim com tudo e, no fundo, acho que me acostumei e adaptei à solidão.
1. Acredito em forças superiores, nos Deuses, no Pai e na Mãe que, para mim, são Cernnunos e Hécate/Gaia. Nunca consigo me decidir exatamente sobre ela pois, na minha cabeça, há uma visão misturada de uma com a outra. Também gosto da ideia de celebrar a Roda do Ano, embora eu nunca tenha feito grandes rituais para eles, um ou outro eu já comemorei de alguma forma, o Samhain em especial sendo comemorado desde criança da forma mais simplória possível mas, ainda assim, comemorado;
2. Eu rezo para os deuses, queimando velas e incensos e, às vezes, simplesmente para homenagear, como forma de honrá-los, sem pedir nada em troca;
3. Acredito em criaturas mágicas/seres elementais, como fadas, duendes, gnomos, etc;
4. Creio totalmente que o material não é essencial ou importante de fato para a realização de magia e feitiços. Para mim, uma bruxa sempre será uma bruxa, independente se tiver ou não suas velas, pedras, incensos, altar ou o que mais existe de material, pois a bruxa é o espírito, é o ser divino que habita dentro de nossos corpos que importam e o exterior serve para tornar tudo mais bonito e ritualístico, mas não é exatamente necessário. Um ritual cheio de materiais e palavras complicadas é tão bom quanto queimar uma vela ou um incenso enquanto conversa com os Deuses, tudo depende inteiramente da sua emoção e intenção. A força vem de dentro, não de fora;
5. Tenho dificuldade muito grande em cultuar outras divindades além das que já cultuo. Obviamente não estou desmerecendo nenhuma delas, acho que todas têm o seu devido valor e precisam ser respeitadas. No entanto, para mim, a minha pessoa de forma exclusiva, tenho muitas dificuldades em cultuar, sei lá, divindades egípcias, por exemplo. Mas também creio que tudo isso varia muito de pessoa para pessoa, cada um tem as divindades com as quais mais se identifica (alguns nem mesmo são adoradores de Deuses e não são menos bruxos por isso), e acho que depois de muitos estudos, talvez um dia eu consiga cultuá-los também. O que quero dizer é: só consigo cultuar algo depois de aquilo fazer sentido para mim. Não vou cultuar algo no que não acredito ainda pois, dessa forma, estarei indo contra a emoção + intenção. Acho que nenhum Deus gostaria de receber orações forçadas, certo? Eu pelo menos odiaria, se fosse uma divindade;
6. Também tenho dificuldades grandes em acreditar em coisas como satanismo, anjos, santos, etc. Todas essas coisas me remetem ao cristianismo, o qual eu tenho (infelizmente, eu acho) grande aversão;
7. Creio muito nos elementos da natureza e gostaria de utilizá-los com mais frequência e de melhor forma, coisa que pretendo ir melhorando ao longo dos estudos;
8. Gosto da ideia de magia de diversas maneiras: magia com sonhos, magia com velas, magia com plantas, magia com pedras, magia com incensos, etc etc etc;
9. Meditação é uma arte, na minha visão. Uma forma de ampliar o seu espírito e aprender coisas sem tomar de fato consciência disso. Uma maneira de viajar entre lugares, ver e fazer coisas, ter sensações e vivenciar momentos muito reais, dependendo do nível da sua concentração, dedicação e intensidade. Dessa forma, também gosto de usar arte para realizar uma meditação, como música. Nem sempre são músicas da bruxaria em si, mas que fazem com que minha mente voe longe, facilitando o contato interior;
10. Gosto da ideia de ter um Grimório e um Livro das Sombras, embora eu ainda não saiba exatamente como fazer eles e estou tentando descobrir através desse blog e, o que escrevo aqui, passar para o Livro das Sombras físico;
11. Sou uma pessoa que se dá melhor sozinha. Digo... Eu queria muito um dia entrar em um coven e coisas assim, mas também sou uma pessoa muito livre. Na verdade, a Bruxaria em si, para mim, tem muito essa questão importante da liberdade pessoal. "Faça o que quiser, contanto que não prejudique ninguém", essa é a rede wiccana, a única "regra" que realmente existe, por assim dizer. Mas embora o formato da frase em si esteja descrito como algo sempre visto nos livros, não é algo que eu "aprendi" quando comecei a estudar, é simplesmente algo que eu sigo para vida. Eu sempre gostei da ideia de seguir aquele velho ditado: não faça com os outros o que não quer que seja feito com você. Sendo assim, acho que todos nós somos inteiramente livres para fazer qualquer coisa que quisermos, para sermos sem somos, contanto que isso não prejudique alguém. Isso me faz lembrar também de algo que a minha mãe dizia para mim: se não tá roubando nem matando ninguém, então tudo bem. Ok, não eram exatamente essas palavras, mas é esse sentido;
12. Diferentemente de algumas pessoas dentro da Arte, eu não vejo nenhum problema na exposição, em postar coisas, tirar fotos, pessoas tocando algo meu, vendo, lendo, etc. Tanto não vejo problema que estou fazendo esse Livro das Sombras/Diário Mágico não só físico, mas também em formato de blog. Acho que é importantíssimo conhecer pessoas, trocar experiências, acontecimentos, sentimentos, sensações e tudo o mais, especialmente quando estamos envolvido com algo tão cheio de tabu quanto é a Bruxaria, ainda nos dias de hoje. Você não vai sair encontrando um bruxo a cada esquina que você vai passando, então, acho que temos que agarrar com todas as nossas forças as oportunidades de termos por perto pessoas mágicas ao nosso lado, ainda mais para trocar essas experiências sobre a magia, que é tão subjetiva e meia de mistérios;
13. Eu acho que TUDO é magia. Simplesmente isso. Tudo é magia, nós somos feitos de magia, o ar que respiramos é magia, a água que bebemos é magia, o fogo que te aquece e faz sua comida de todo dia é magia, a terra onde nós pisamos, seja ela asfalto ou não, é magia. Nossos sonhos, nossos talentos, nossos dons, sentimentos, vivências, aprendizados, o planeta, o universo, a forma como as coisas funcionam... Tudo é magia;
14. Eu acredito totalmente em reencarnação, vidas passadas e que as bruxas que morreram na época da inquisição estão ainda hoje vagando por aqui em novos corpos, numa outra era. Digo isso pelas minhas próprias experiências, porque tenho total certeza de que fui sim uma dessas pessoas que morreram nas fogueiras naquele período e que até hoje carrego marcas disso comigo;
15. Acredito que a magia não é boa e nem má, é apenas ela mesma, o que será bom ou ruim é a pessoa que irá manipulá-la. É como uma faca: ao mesmo tempo que você pode usar ela só pra preparar sua comida ou coisa assim, outra pessoa pode usar ela para, sei lá, matar alguém. Não é a faca que é boa ou ruim, e sim a forma como ela é manipulada, a pessoa que a utiliza;
16. Gosto do equilíbrio das coisas, não é atoa que o meu blog principal se chama "o inferno do céu", não porque eu acredite de fato no céu ou no inferno, mas porque acho que são duas coisas fáceis das pessoas assimilarem e entenderem como "bem e mal", num geral. É um pouco de ying-yang também, eu acho. Mas, voltando ao equilíbrio, acho que tudo precisa ser equilibrado, e uma das coisas que mais me desagradam na Bruxaria/Wicca, é o fato de a maior parte das coisas estarem voltadas ao feminino, excluindo quase que completamente o masculino, ou o contrário também. Embora eu tenha questões muito confusas sobre "feminino e masculino", por ser trans, essa coisa de dizer que é bruxo e automaticamente falarem de ti como uma mulher, ou sei lá o que, me incomoda bastante. Eu já não sei mais qual o meu gênero, se é que eu tenho um, ainda estou passando pelo processo de "busca de mim", e acho que esse paradigma de coisas entre "feminino e masculino", ou sobre covens que tem que ter x homens e x mulheres, ou qualquer outra coisa assim, não é pra mim. Isso está plenamente ligado também ao ponto de você ser livre para ser você mesmo.
17. Quero muito aprender e estudar sobre várias coisas, desde as mais simples a coisas que são consideradas "pesadas demais" por outras pessoas. Isso não significa que ficarei praticando essas coisas, mas acho que é sempre importantíssimo que leiamos e possamos aprender sobre tudo, desde magias naturais como receitinhas de comidas à necromancia e Goethia. A melhor forma de se precaver de algo é conhecendo esse algo e sabendo como fazer ou desfazer coisas. Entender sobre tudo, mas praticar apenas o que é bom.
Bom, resumidamente é isso. Ao longo do tempo eu vou ir relendo isso, vendo o que mudou, o que continua igual. Será um bom texto de auto-análise e observação, onde poderei comparar e ver minha evolução.
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